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Notícia

IRPF 2026: contribuintes já podem separar documentos e planejar envio da declaração

Antecipação na organização pode reduzir riscos de malha fina, evitar multa por atraso e aumentar as chances de restituição nos primeiros lotes

Com a proximidade do período de entrega do Imposto de Renda 2026, contribuintes e escritórios contábeis já podem iniciar a organização dos documentos referentes ao ano-calendário 2025. A expectativa é que o prazo de transmissão tenha início em meados de março e se encerre no fim de maio, conforme calendário tradicional adotado pela Receita Federal.

Embora as datas oficiais e as regras definitivas de obrigatoriedade ainda dependam de divulgação formal, a preparação antecipada é considerada estratégica, especialmente para quem tem direito à restituição.

A ordem de envio é um dos critérios utilizados para a formação da fila de pagamento, observadas as prioridades legais.

Entrega antecipada pode antecipar restituição

Contribuintes que transmitem a declaração nos primeiros dias tendem a receber a restituição mais cedo, desde que não haja pendências ou inconsistências.

Além da ordem de envio, a legislação estabelece prioridades para:

  1. Idosos com 80 anos ou mais;
  2. Idosos a partir de 60 anos, pessoas com deficiência ou doença grave;
  3. Contribuintes cuja principal fonte de renda seja o magistério;
  4. Quem utilizar a declaração pré-preenchida e optar por receber via Pix;
  5. Quem utilizar a pré-preenchida ou escolher restituição via Pix;
  6. Demais contribuintes.

Caso seja necessária retificação, o posicionamento na fila pode ser alterado, especialmente se houver mudança no valor da restituição.

Declaração pré-preenchida exige conferência técnica

Mesmo com a ampliação da declaração pré-preenchida, o contribuinte continua responsável pelas informações transmitidas.

A recomendação para o período do IRPF 2026 é:

  1. Conferir todos os informes de rendimentos;
  2. Revisar valores declarados por fontes pagadoras;
  3. Validar dados de dependentes;
  4. Conferir rendimentos variáveis, como aluguéis e investimentos;
  5. Revisar informações centavo a centavo antes da transmissão.

A pré-preenchida pode não conter dados completos quando:

  1. A fonte pagadora ainda não enviou as informações;
  2. Houver erro no informe fornecido;
  3. Existir ganho de capital;
  4. Houver renda do exterior;
  5. O contribuinte tiver atividade como autônomo (Carnê-Leão);
  6. Houver dependentes com renda própria.

Documentos essenciais para o IR 2026

A organização documental é etapa fundamental para evitar inconsistências e retrabalho. Entre os principais documentos estão:

Rendimentos do trabalho

  1. Informes fornecidos por empregadores;
  2. Pró-labore e lucros recebidos por sócios.

Instituições financeiras

  1. Informes com saldos bancários em 31/12/2024 e 31/12/2025;
  2. Rendimentos de aplicações financeiras.

Previdência

  1. Informes do INSS (aposentadorias e pensões);
  2. Informes de previdência privada (PGBL e VGBL).

Aluguéis

  1. Recibos mensais;
  2. Informes fornecidos por imobiliárias.

Pensão alimentícia

  1. Comprovantes de pagamento ou recebimento.

Despesas médicas

  1. Recibos e notas fiscais com identificação completa do profissional ou clínica;
  2. Comprovantes de plano de saúde.

Educação

  1. Comprovantes de mensalidades escolares.

Bens e direitos

  1. Escrituras e contratos de compra e venda de imóveis;
  2. Documentos de aquisição ou venda de veículos;
  3. Notas de corretagem e relatórios de investimentos.

Despesas médicas: principal foco de cruzamento

Despesas médicas continuam entre os principais fatores que levam contribuintes à malha fina. Como não há limite de dedução, o cruzamento eletrônico é mais rigoroso.

Os recibos devem conter:

  1. Nome completo ou razão social;
  2. Endereço;
  3. CPF ou CNPJ do prestador.

Desde 2025, profissionais de saúde devem emitir recibos por meio do aplicativo Receita Saúde, o que aumenta o nível de rastreabilidade das informações.

Caso a despesa não apareça na declaração pré-preenchida, recomenda-se confirmar se o profissional transmitiu corretamente as obrigações acessórias antes do envio da declaração.

Quem deve declarar o IRPF 2026?

As regras oficiais ainda serão publicadas, mas, tomando como base o exercício anterior, estiveram obrigados a declarar contribuintes que:

  1. Receberam rendimentos tributáveis acima do limite anual estabelecido;
  2. Obtiveram rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte acima do teto fixado;
  3. Tiveram ganho de capital na venda de bens;
  4. Realizaram operações em Bolsa acima do limite legal;
  5. Possuíam bens acima de determinado valor em 31 de dezembro;
  6. Obtiveram receita rural acima do limite anual;
  7. Passaram à condição de residentes no Brasil no ano-base;
  8. Declararam bens no exterior ou optaram por atualização patrimonial específica.

A Receita Federal deverá confirmar os valores atualizados para o IRPF 2026.

Multa por atraso

O contribuinte obrigado a declarar que perder o prazo estará sujeito à multa mínima de R$ 165,74, podendo chegar a 20% do imposto devido.

Organização contínua facilita próxima declaração

Para evitar correria no período de entrega, especialistas recomendam manter a organização permanente dos documentos ao longo do ano, seja em formato físico ou digital.

Guardar informes, recibos e contratos de forma estruturada reduz erros e facilita a conferência no momento da declaração.

A preparação antecipada, aliada à revisão técnica das informações, é considerada uma das principais estratégias para reduzir o risco de malha fina no IRPF 2026.