• Conheça nosso jeito de fazer contabilidade

    Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Vestibulum sit amet maximus nisl. Aliquam eu metus elit. Suspendisse euismod efficitur augue sit amet varius. Nam euismod consectetur dolor et pellentesque. Ut scelerisque auctor nisl ac lacinia. Sed dictum tincidunt nunc, et rhoncus elit

    Entenda como fazemos...

Notícia

O fim do SPED está próximo: por que os Eventos Fiscais são a nova fronteira da sobrevivência tributária em 2026

Como a consolidação dos eventos fiscais molda o futuro da conformidade e da apuração de impostos no Brasil

Enquanto o mercado ainda processa os impactos imediatos da transição tributária, uma mudança estrutural passa quase despercebida na rotina das áreas tributárias: a consolidação do evento fiscal como principal instrumento de controle de créditos e débitos de IBS e CBS. Não se trata de apenas mais um formulário, mas de uma transformação na lógica de fiscalização, permitindo que o fisco enxergue, em tempo real, cada detalhe das operações empresariais.

O cenário é desafiador. Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), 2026 marca o ápice histórico do custo de conformidade no país. As empresas precisam, simultaneamente, manter as obrigações do regime legado e adaptar seus processos à nova alíquota de teste do IVA Dual.

O custo anual para se manter em conformidade com a legislação brasileira é estimado em torno de R$70 bilhões, segundo o Observatório do Custo Brasil — e a "dupla sistemática" de 2026 deve inflar esse número. Não por acaso, o país já detém o maior tempo dedicado ao cumprimento tributário no mundo: mais de 1.500 horas anuais, contra uma média de 150 horas nos países da OCDE.

Vantagem competitiva

Diante desse cenário, a Sovos, multinacional de tecnologia para conformidade fiscal, posiciona o domínio dos eventos fiscais como uma vantagem competitiva estratégica. Para os especialistas da companhia, o evento não é apenas uma obrigação acessória, mas o motor da apuração assistida do IBS e da CBS, que pode substituir, a longo prazo, declarações complexas como o SPED Fiscal.

"O evento fiscal é um complemento do documento eletrônico — sempre posterior à transação e vinculado a um ajuste de débito ou crédito. O que muda é que tudo o que antes era feito na escrituração, dentro do SPED, agora será registrado via evento e refletido diretamente na apuração assistida pelo fisco", explica Giuliano Gioia, Diretor Regulatório da Sovos Brasil.

Mudança de mindset: do ICMS ao IBS

Na prática, a lógica é direta, mas a operação é complexa. Sempre que houver uma alteração após a emissão do documento — como perecimento de mercadoria, cancelamento de negócio ou estorno de crédito presumido — a empresa deve enviar um evento ao fisco. A ausência desse registro pode resultar no recolhimento integral do imposto sobre a operação, sem direito a créditos.

A análise da Sovos alerta para a diferença crucial entre o ICMS e o novo IBS. No modelo atual, o fato gerador do ICMS ocorre na saída da mercadoria. No novo modelo, o foco é o fornecimento. Se uma mercadoria é roubada em trânsito, por exemplo, o fornecimento não se completa. O ajuste, nesses casos, não ocorre mais pelo cancelamento da nota, mas pelo envio de um evento fiscal específico.

Impacto no fluxo de caixa

Há, ainda, uma dimensão financeira vital: os eventos fiscais são o canal oficial para o exercício do direito de crédito. Falhas nesse controle podem levar à perda de créditos legítimos ou à manutenção de créditos indevidos, gerando passivos em um ambiente de visibilidade total por parte do governo.

"No horizonte de longo prazo, a Sovos enxerga os eventos como a 'antecâmara' do fim das obrigações acessórias manuais. A apuração será contínua, atômica e digital. Para prosperar nesse novo ecossistema, as empresas precisarão centralizar e automatizar o processamento dessas mensagens, exigindo uma revisão profunda de sistemas e da capacidade analítica das equipes", ressalta Gioia.