• Conheça nosso jeito de fazer contabilidade

    Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Vestibulum sit amet maximus nisl. Aliquam eu metus elit. Suspendisse euismod efficitur augue sit amet varius. Nam euismod consectetur dolor et pellentesque. Ut scelerisque auctor nisl ac lacinia. Sed dictum tincidunt nunc, et rhoncus elit

    Entenda como fazemos...

Notícia

Reforma Tributária: por que a organização da microempresa será mais importante que decorar siglas como IBS e CBS

Organização e tecnologia são cruciais para a adaptação ao novo sistema tributário

A Reforma Tributária sobre o consumo, em fase de testes desde 1º de janeiro de 2026, colocou em evidência duas novas siglas: IBS e CBS. Embora esses termos passem a ocupar espaço nas notas fiscais e no debate público, o maior impacto da mudança não está no nome dos tributos, mas na forma como as microempresas organizam sua operação.

Prevista pela Emenda Constitucional nº 132/2023 e regulamentada pela Lei Complementar 214/2025, a transição foi desenhada para ser gradual.

Até abril de 2026, não haverá multas relacionadas ao preenchimento das informações de IBS e CBS, criando um período de adaptação. Ainda assim, o novo modelo já sinaliza uma virada importante: o imposto deixa de ser um ajuste final e passa a refletir a rotina diária do negócio.

Para micro e pequenas empresas — que representam a maioria dos negócios brasileiros e respondem por parcela relevante do PIB, segundo o Sebrae, a Reforma vai além da promessa de simplificação.

A substituição de cinco tributos por um IVA dual impacta fluxo de caixa, formação de preços, controle financeiro e processos administrativos. O imposto passa a ser consequência direta da forma como a empresa opera.

O novo sistema expõe um problema histórico das microempresas: a fragilidade dos processos internos. Com apuração eletrônica e cruzamento contínuo de dados, falhas antes corrigidas manualmente passam a gerar distorções fiscais com mais rapidez. Cadastros incompletos, registros genéricos e falta de integração entre áreas deixam de ser toleráveis.

Nesse contexto, organização deixa de ser diferencial e passa a ser condição básica. A tributação acompanha cada etapa da operação, exigindo coerência entre venda, registro e declaração.

É nesse ponto que o uso de tecnologia se torna decisivo. Sistemas de gestão, como um ERP, deixam de ser apenas apoio administrativo e passam a sustentar a conformidade tributária. Ao integrar vendas, emissão de documentos fiscais, estoque e financeiro, o ERP reduz retrabalho, elimina controles paralelos e aumenta a confiabilidade dos dados.

Antes de alterar o valor do imposto, a Reforma muda a rotina operacional. A tributação deixa de ser concentrada no fechamento do período e passa a acompanhar cada transação, desde a venda até o recebimento. Erros simples ganham peso maior e se refletem diretamente na apuração.

A tributação no destino reforça essa exigência. Informações como local da venda, tipo de operação e perfil do cliente passam a influenciar diretamente o cálculo do imposto. Sem sistemas capazes de registrar esses dados desde a origem, a margem para erro aumenta e as correções posteriores perdem eficácia.

A não cumulatividade plena segue a mesma lógica. Embora amplie o direito ao crédito, elaeste condiciona seu aproveitamento à consistência das informações. Quando a operação não está organizada, o crédito não é reconhecido, e a empresa paga mais imposto não por aumento de alíquota, mas por falha operacional.

Em síntese, o maior risco da Reforma Tributária para a microempresa não é pagar mais imposto, mas perder o controle da própria operação.

Empresas que investem em organização e tecnologia atravessam a transição com mais previsibilidade. As que improvisam enfrentam mais instabilidade. A Reforma, na prática, separa quem opera com dados estruturados de quem ainda depende do improviso.