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Notícia

A verdade que você não disse também é uma escolha

Existe uma forma silenciosa de desrespeito que as empresas praticam todos os dias e chamam de cuidado. É o eufemismo no lugar da verdade

Existe uma forma silenciosa de desrespeito que as empresas praticam todos os dias e chamam de cuidado. É o eufemismo no lugar da verdade. É a reunião de feedback que termina sem que nada de importante tenha sido dito. É o gestor que sai da sala convicto de que foi gentil, enquanto o colaborador sai sem entender por que seu futuro ali está em risco.

Chamamos isso de delicadeza. Na prática, é covardia com boa intenção.

Há algum tempo, precisei ter uma conversa que eu sabia que iria doer. Não havia forma de embrulhá-la para parecer outra coisa. A pessoa do outro lado ouviu, sentiu o peso do que foi dito, e então fez algo que poucos fazem: entendeu. Não apenas aceitou, entendeu. E virou o jogo. O que ficou entre nós depois daquilo não foi mágoa. Foi respeito.

Esse episódio me ensinou algo que nenhum framework de feedback consegue colocar em uma caixa: as pessoas aguentam a verdade. O que elas não aguentam, e nunca vão aguentar, é perceber que foram tratadas como se não aguentassem.

Quando um líder rodeia, ameniza, dilui, ele não está protegendo o colaborador. Está se protegendo. Está evitando o desconforto da reação, o silêncio pesado, o olho que mareja. Está escolhendo o próprio conforto e embrulhando isso em compaixão. O colaborador, do outro lado, sente. Sempre sente. E aprende, devagar, que ali não é um lugar onde se diz a verdade. Aprende a fazer o mesmo.

É assim que culturas inteiras se tornam especialistas em comunicar sem informar.

A conversa difícil não é um evento de exceção na gestão de pessoas. É o trabalho. É onde a confiança se constrói ou se perde definitivamente. Um feedback sincero e construtivo entregue com respeito pela capacidade do outro de processá-lo não é crueldade, é o ato mais generoso que um líder pode praticar. Porque pressupõe que a pessoa do outro lado tem inteligência, tem maturidade e tem o direito de saber onde está.

Tratar gente como adulto é, antes de qualquer técnica, uma decisão sobre o que você acredita das pessoas.

Se você acredita que elas quebram com a verdade, vai continuar dando voltas. Se você acredita que elas crescem com ela, vai encontrar as palavras certas, por mais difíceis que sejam, e vai dizer.

A diferença entre as duas escolhas não está no resultado imediato. Está em quem você ajuda a se tornar.