• Conheça nosso jeito de fazer contabilidade

    Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Vestibulum sit amet maximus nisl. Aliquam eu metus elit. Suspendisse euismod efficitur augue sit amet varius. Nam euismod consectetur dolor et pellentesque. Ut scelerisque auctor nisl ac lacinia. Sed dictum tincidunt nunc, et rhoncus elit

    Entenda como fazemos...

Notícia

Juro real do Brasil volta a ser o maior do mundo

Para combater a inflação e recuperar credibilidade, BC aumenta taxa Selic para 9,5% ao ano e já há expectativa de que alcance os dois dígitos até o fim do ano

Autor: Erik FarinaFonte: Zero Hora

Nem a desaceleração da inflação oficial em setembro, que pela primeira vez neste ano ficou abaixo de 6% no acumulado de 12 meses, dissuadiu o Banco Central (BC) a elevar, nesta quarta-feira, pela quinta vez seguida a taxa básica de juro, de 9% para 9,5%. O aumento leva o Brasil a ocupar a liderança do juro real (descontada a inflação) entre as principais economias do planeta e indica que a Selic poderá voltar aos dois dígitos ainda em 2013.

Conforme levantamento do site MoneYou com 40 nações, a taxa passou para 3,5%. O Brasil não ocupava a primeira posição desde março de 2012. Iniciada em abril, após a taxa básica permanecer seis meses no menor patamar de sua história, a trajetória de alta visa arrefecer a pressão da alta de preços acentuada pelo aumento dos alimentos no início do ano e agravada pela valorização do dólar a partir de maio. Também indica que o BC está em busca de recuperação de sua credibilidade.

 

Nesta quarta, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas informou que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado em 12 meses foi inferior a 6% pela primeira vez no ano – o que foi comemorado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. Porém, continua mais próximo do limite do teto (6,5%) do que do centro da meta (4,5%).

– O IPCA permanece em nível arriscado, sob ameaça de ultrapassar o teto da meta se houver choque de preços. O BC tem preferido subir os juros aos poucos do que ter de elevar drasticamente ali adiante – analisa Fernando Parmagnani, economista da Rosenberg & Associados.

A projeção da Rosenberg é de nova elevação de 0,5 ponto percentual na Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), dias 26 e 27 de novembro, o que levaria o juro básico para 10% – dois dígitos pela primeira vez desde março de 2012. Parmagnani lembra que, embora o câmbio tenha deixado momentaneamente de pressionar a inflação em razão da manutenção dos estímulos concedidos pelo Federal Reserve (Fed), a moeda continua em um patamar mais alto do que no ano passado. E em 2014 poderá voltar a pressionar os preços dos importados, quando o Fed deve reduzir o seu programa de incentivos. Ontem, o presidente Barack Obama anunciou o nome de Janet Yellen para ocupar a direção do Fed.

Economista da LCA Associados, Antônio Madeira afirma que a inflação poderá sofrer mais pressões neste ano, como um eventual reajuste nos preços de combustíveis e de alguns alimentos, como carnes. Para Antônio Correa de Lacerda, professor de economia da PUC-SP, o BC está chegando ao ponto de equilíbrio para inibir novas altas de preços sem segurar o crescimento da economia:

– O juro real está próximo do razoável no país, entre 3% e 3,5%.

Situações que o BC pondera na hora de decidir a respeito da taxa Selic

Para continuar subindo o juro

Inflação acima do centro da meta
Mesmo tendo caído abaixo de 6% no acumulado de 12 meses, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) segue distante do centro da meta, de 4,5%. Há margem menor para o país reagir a um eventual choque de preços.

Alta na gasolina
O governo poderá autorizar ainda neste ano um reajuste no preço dos combustíveis, atendendo à pressão da Petrobras. O impacto na inflação seria imediato.

Ganho de credibilidade
A inflação oficial prevista para o próximo ano deve ficar próxima de 6%. Subir mais os juros inibiria as expectativas e evitaria remarcações antecipadas de preços, além de indicar que persegue uma inflação menor no próximo ano.

Para manter o juro estável ou subir só um pouco

Baixo crescimento
A economia deve ter expansão em torno de 2,5% neste e no próximo ano, conforme projeções do mercado financeiro, e o juro elevado impediria a retomada, pois encarece o crédito.

Dólar estabilizado
A chegada de Janet Yellen à presidência do banco central americano, o Federal Reserve (Fed), reforça a expectativa de que a instituição continuará irrigando, por mais algum tempo, o mercado com dólares, para reforçar a recuperação dos EUA. Como efeito, evita a disparada da moeda em nações emergentes.

Inflação mais comportada
A desaceleração do IPCA pode indicar que a inflação finalmente se distancia do teto da meta (6,5%), o que abriria margem para o BC reduzir o ritmo de alta do juro básico.

Elevação do juro serve para desestimular aumento de preços

Já sufocado por um crescimento previsto para cerca de 2,5% neste e no próximo ano, conforme as previsões na edição mais recente do Boletim Focus, o Produto Interno Bruto (PIB) deve sentir um impacto relativamente pequeno com a nova elevação da taxa básica de juro. Economistas afirmam que este aumento afeta principalmente as expectativas, ou seja, desestimula quem pretende reajustar preços de produtos e serviços por receio que a alta de preços se acelere.

– No Brasil, o crédito direcionado (para uso específico para determinada compra), um dos mais importantes para a economia, é pouco sensível a variações da Selic. Claro que é um vento contra o crescimento, mas não é determinante para que o país cresça mais ou menos – explica Antônio Madeira, economista da LCA Consultores.

Segundo Antônio Correa de Lacerda, professor da PUC-SP, a nova alta do juro não afeta o dia a dia dos consumidores e o efeito no crédito é pequeno. Fernando Parmagnani, economista da Rosenberg & Associados, analisa que o crescimento menor da economia em razão da sequência de aumentos na taxa Selic é necessário para que a inflação continue abaixo do teto da meta:

– A elevação do juro é importante para reduzir expectativas e influências, compensa o efeito que traz no arrefecimento da economia.